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D.E.B.S. (2004)

Com poucos filmes na carreira, a diretora Angela Robinson acabou transformando a abordagem tradicional do cinema de espionagem nas bases de uma obra que abre espaço para a representatividade, para o humor, para o amor, para o companheirismo e sobretudo para a diversão



Em 2003, a cineasta Angela Robinson, que já possuía um curta-metragem no currículo (o pouco visto “Chickula: Teenage Vampire”, de 1995), mais uma vez fez uma incursão no cinema de gênero mantendo traços de uma história romântica, no divertido e muito descontraído D.E.B.S. Lá, o filme de vampiro trazia consigo uma história de amor entre duas mulheres e, aqui, o caminho escolhido foi o mesmo: fazer o gênero (ou os múltiplos gêneros), no caso o cinema de espionagem embutido em um caloroso coming of age, abrir, dentro da trama, uma possibilidade de se explorar justamente as nuances de um relacionamento lésbico.


Como o resultado inicial da experiência com o curta foi bem-sucedido, logo no ano seguinte, em 2004, Angela realizou a versão em longa-metragem de seu filme, e o resultado pode não ter sido um sucesso comercial ou crítico à época de seu lançamento, mas hoje já consegue um espaço na lista de clássicos cults recentes.



A premissa básica da história envolve a vida privada (a qual só o público tem acesso) e a vida pública (a qual nós vemos, mas também é analisada por seus inimigos e professores/diretores da escola) de quatro adolescentes que passam pelo colegial se dedicando a, no lugar de estudar para testes convencionais de vestibular, aprender a mentir, trair, matar e lutar, como diz o lema no início do longa. Ao fim do aprendizado, as quatro devem possuir uma característica contada para cada personalidade.


Amy Bradshaw (Sara Foster) talvez seja a garota mais subestimada do grupo em um estágio inicial. Ela acaba de sair de um relacionamento tumultuado com seu namorado Bobby (Geoffy Stults) e seus pensamentos não são valorizados pelo resto das meninas, mas ela possui uma habilidade que se destacou entre seus tutores: a habilidade de mentir. Max Brewer (Meagan Good) se auto-intitula a líder, e busca sempre ser a primeira a conseguir reconhecimento de seus superiores. Já a personagem de Devon Aoki, a amada e muito citada Dominique, é aquela que está sempre no canto fumando, com um olhar blasé, mas não está te julgando tanto quanto você pensa. Temos ainda a Janet interpretada por Jill Ritchie, que vai ganhando força ao longo do filme e um maior destaque de falas e ações também.


Os primeiros dez ou quinze minutos apontam para a confecção de um filme cujo centro de execução se dá em momentos cirúrgicos, pontos estratégicos de embate entre as espiãs e sua grande oponente, a determinada criminosa Lucy Diamond. Se ele seguisse apenas esse caminho, seria uma obra protocolar de jogo de gato e rato, podendo variar a ordem das ações. Mas no meio de sua duração, quando as mentes jovens já possuem mais domínio criativo sobre suas próprias funções na trama e os adultos apenas observam de camarote a combinação de glamour, instinto assassino e obediência à profissão que move a colisão de rota de cada uma dessas mulheres, existe a necessidade de se comunicar e de se observar, nem que para isso elas rompam as barreiras que as separam, sobretudo por amor.



Esse último embala um sentimento de descobertas e novas possibilidades (incluindo hobbies, profissões e status social) formado entre as personagens Amy e Lucy, que se apaixonam ao som de uma trilha sonora sempre muito animada, com grandes clássicos da música pop que parecem nunca terem sido tocados antes. No comando, dá para perceber que a diretora Angela Robinson se curte muito.


No fim, algumas manobras usadas aqui e ali, as poses e as coreografias estão no centro das relações que elas mesmas formam e, literalmente, ditam o ritmo dos contatos que existem entre as personagens. É tudo muito divertido.


Nota do crítico:


Para mais críticas, artigos, listas e outros conteúdos de cinema fique ligado na Cine-Stylo, a coluna de cinema da Singular. Clique na imagem abaixo para ver mais do trabalho do autor:


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