Cobertura - 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
Confira a cobertura abaixo

Desde 1965, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ocupa um lugar fundamental na história do cinema brasileiro. Criado como "Semana do Cinema Brasileiro", por Paulo Emílio Salles Gomes — idealizador e fundador da Cinemateca Brasileira, crítico, historiador do cinema brasileiro, professor e idealizador do curso de Cinema da Universidade de Brasília —, é reconhecido como o festival de cinema brasileiro mais longevo em atividade no país. E tornou-se um espaço de encontro, formação e afirmação de novas linguagens cinematográficas. Em 1969, por exemplo, o encontro de Rogério Sganzerla e Júlio Bressane no Festival contribuiu para a idealização da Belair… impossível imaginar o Cinema Marginal sem o FBCB, afinal, o ganhador de 1968 foi "O Bandido da Luz Vermelha". E podemos ir um pouco mais à frente no tempo, pois “O Homem que Virou Suco” e “A Hora da Estrela” foram duas obras que alcançaram reconhecimento internacional e também integram essa história do Festival, tendo a telona do CineBrasília como seu espaço de estreia.
Em sua 59ª edição, o Festival renovou esse compromisso ao oferecer a novos realizadores a possibilidade de apresentar seus filmes nessa mesma telona do “Cine”, por onde passaram tantos mestres. E o CineBrasília, portanto, também permanece como centro desse encontro, resistindo há mais de seis décadas sob ameaças de fechamento recorrentes.
Mas essa continuidade do Cine e do Festival não pode ser celebrada sem que sejam reconhecidas as condições políticas e materiais que a tornam possível — ou, especialmente, que ameaçam interrompê-la. Neste ano de 2026, a possibilidade de cancelamento da edição, anunciada em meio ao impasse orçamentário do Governo do Distrito Federal — no mês que precederia o evento —, expôs a fragilidade do FBCB. O rombo do Banco de Brasília (BRB), associado às operações com o Banco Master, agravou o cenário de instabilidade financeira e política do Distrito Federal. E a gestão Celina Leão–Ibaneis Rocha não pode se eximir de suas responsabilidades pela condução administrativa do GDF nesses últimos quatro anos, que deve ser submetida a uma apuração rigorosa e transparente.
Nesse contexto, a notícia de que o FBCB não seria realizado foi ainda mais avassaladora. Sua posterior confirmação — que só ocorreu graças a mobilização civil da comunidade do cinema e do audiovisual de Brasília e de outras partes do Brasil, que pressionou a gestão do GDF — não apaga a gravidade do episódio. É importante lembrar também dos trabalhadores, pois caso o FBCB fosse cancelado, não suspenderiam apenas um evento, mas também desvalorizariam o trabalho de todos os profissionais envolvidos há meses na organização. A realização desta edição, embora linda, não apaga a irresponsabilidade da atual gestão do Governo do Distrito Federal ao deixar sua continuidade à mercê de decisões de última hora, em ano eleitoral...
Se o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro carrega uma memória incontornável do cinema nacional, sua importância também reside na possibilidade de um futuro. É o espaço em que filmes inéditos encontram sua primeira telona e muitos cineastas trocam ideias, criam novos movimentos. Um abraço a todas as pessoas que fizeram este FBCB possível em 2026! Me pergunto o que P. E. Salles Gomes estaria pensando agora. Por Giulia Dela Pace
Neste ano, a Cine-Stylo fez a cobertura do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Boa leitura!
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