"Backrooms: Um Não-Lugar" navega entre espaços
- Fernanda Parrado

- 8 de jun.
- 2 min de leitura

Com planos cinematográficos interessantes e ótima edição, o filme Backrooms: Um Não-Lugar, dirigido por Kane Parsons, apresenta não só uma perspectiva de mudança de espaços habitados e transformados em espaços vazios, como traz à tona um olhar extremamente lúdico sobre como esses ambientes são ocupados, ou melhor, desocupados.
"À medida que você percorre a vida, a mente não treinada acumula ciclos, hábitos, comportamentos, para mantê-lo vagando em círculos. Criando os mesmos problemas, buscando as mesmas soluções. De novo, e de novo, novamente (...)"
(Backrooms, 2026).
Com esta fala, o filme nos introduz ao personagem Clark, interpretado por Chiwetel Ejiofor, enquanto desabafa sobre seu casamento e carreira fracassada à sua terapeuta Mary Kline, interpretada por Renate Reinsve.
Funcionário de uma loja de móveis decadente em 1990, Clark logo descobre um universo dentro de sua loja, repleto de paredes amarelas, posicionadas como uma espécie de labirinto humano.

Clark, junto aos funcionários Bobby (Finn Bennett) e Kat (Lukita Maxwell), decidem então explorar esse universo, mas acabam presos nesse mundo paralelo, repleto de móveis abandonados e com insinuações de monstros e figuras assassinas.
Devido ao desaparecimento de Clark e uma mensagem deixada em sua caixa-postal, a terapeuta Mary decide ir em busca de Clark em sua loja de móveis, encontrando, consequentemente, a mesma porta para esse não-lugar.
Por meio de enquadramentos de forte inspiração surrealista, os personagens navegam entre esses espaços, enquanto a plateia aparenta acompanhá-los em um tipo de memória esquecida e sinistra.

Entre mini episódios de insanidade momentânea ou de questionamentos existenciais dos personagens, é relevante também mencionar os diversos tributos a filmes clássicos do terror, como a inegável influência cinematográfica de planos subjetivos de A Bruxa de Blair (Myrick; Sánchez, 1999), descoberta de diferentes universos macabros através de portas do hotel de O Iluminado (Kubrick, 1980) e um aspecto totalmente Lynchiano de ser, fazendo referências principalmente à personagens de Twin Peaks (Lynch, 1992) e A Estrada Perdida (Lynch, 1997). Também observa-se diversos elementos dos clássicos Alice no País das Maravilhas (Carroll, 1865), Alice Através do Espelho…e o que ela encontrou lá (Carroll, 1875), além da icônica obra Relatividade (Escher, 1953).
Para além de um exercício de horror psicológico, Backrooms: Um Não-Lugar faz jus ao fenômeno amplamente discutido pelo público jovem na internet. Mais do que uma adaptação, o filme amplia esse universo, transformando corredores vazios e ambientes esquecidos em uma crítica sobre memória, traumas e alienação.
Nota da crítica:

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