As melhores atuações da história do cinema
- Revista Cine-Stylo

- há 2 dias
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Segundo os redatores da Cine-Stylo

Ao longo da história da Cine-Stylo nós fizemos algumas listas colaborativas. Cada um dos membros, críticos e editores redige sua própria relação de filmes sobre determinado tema e, num sistema de pontos decrescentes, os quantificamos num índice.
Meio igual a todas as listas de premiações e votação popular que você já viu na sua vida.
Acontece que essa não é mais a forma que queremos fazer as coisas por aqui. Esse tipo de lista, embora seja legal por demonstrar a média de nossos gostos, é ruim por esse exato mesmo motivo. Quase sempre só serve para recompensar o mais famoso. Sem falar que é um formato quase anti-curatorial, já que acaba excluindo o diferente, o individual.
Pensando nisso, quando a ideia de fazer uma lista das melhores atuações de todos os tempos pipocou em nossas conversas, o caminho de listas individuais parecia ser muito mais enervante: cada um pode escolher seus integrantes sem medo de não aparecerem na lista final e damos um holofote igualitário para todos.
Então, aqui vão nossas listas:

Robert De Niro como Jake La Motta em Touro Indomável
por Pedro Daher
Mais do que a epítome da transformação pessoal em prol da atuação profissional, a performance de De Niro como o lutador Jake La Motta atinge o âmago da frustração com o estado inerente de violência ressentida da masculinidade frágil. Os punhos que, no começo do filme, acertavam os adversários nos ringues, passam a mirar os rostos da esposa, do irmão, e de qualquer um que cruzasse seu caminho do outro lado da vida. Termina dando golpes na parede de uma cela escura, no mais absoluto vazio existencial.
Lista de melhores atuações da história para Pedro Daher
Robert De Niro em Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980)
Natalie Wood em Clamor do Sexo (Elia Kazan, 1961)
Emily Watson em Ondas do Destino (Lars von Trier, 1996)
Monica Vitti em Deserto Vermelho (Michelangelo Antonioni, 1964)
David Thewlis em Naked (Mike Leigh, 1993)

Gena Rowlands como Mabel Longhetti em Uma Mulher Sob Influência
por Davi Pieri
O trabalho de Gena Rowlands evidencia a importância da ação física no cinema. Enquanto muito do debate acerca do naturalismo na interpretação teve como foco uma suposta "interioridade", a atriz, sob direção de Cassavetes, demonstra o que o mestre Konstantin Stanislavski pesquisava em seus últimos anos: que a ação física é a origem da vida em cena. Por meio de uma dinâmica elaborada a partir da ação e reação mais imediata dos atores uns com os outros, enclausurados no espaço fílmico, surge a brutalidade marcada nos impulsos físicos de Rowlands em Uma Mulher sob Influência.
Lista de melhores atuações da história para Davi Pieri
Gena Rowlands em Uma Mulher sob Influência (John Cassavetes, 1974)
Meryl Streep em As Pontes de Madison (Clint Eastwood, 1995)
Tatsuya Nakadai em Ran (Akira Kurosawa, 1985)
Helena Ignez em A Mulher de Todos (Rogério Sganzerla, 1969)
Cary Grant em Levada da Breca (Howard Hawks, 1938)

Al Pacino como Sonny Wortzik em Um Dia de Cão
por Michelle Daminello
Sonny persegue a própria imagem e quanto mais tenta se definir, mais se torna objeto de interpretação alheia. Uma sociedade sedenta por consumi-lo, mais escandalizada por sua pessoa do que pela gravidade da situação. Pacino encapsula esse atrito, extravasando tudo o que o filme deixa contido, seja na violência, na sexualidade ou no completo desespero. O que sobra é a impossibilidade de Sonny coincidir com a própria imagem.
Lista de melhores atuações da história para Michelle Daminello
Al Pacino em Um Dia de Cão (Sidney Lumet, 1975)
Liza Minnelli em Cabaret (Bob Fosse, 1972)
James Stewart em A Felicidade Não se Compra (Frank Capra, 1946)
Helena Ignez em Copacabana Mon Amour (Rogério Sganzerla, 1970)
Delphine Seyrig em Jeanne Dielman (Chantal Akerman, 1975)

Gloria Swanson como Norma Desmond em Crepúsculo dos Deuses
por Davi Alencar
"Nós não precisávamos de diálogo, nós tínhamos nossos rostos" é uma ótima maneira de resumir o que é essa atuação. Poucas presenças exalam grandiosidade como a de Swanson através de Norma Desmond. Afinal de contas, para interpretar alguém que se acha maior que o próprio cinema, só confiança não é o bastante. Saindo de uma figura enigmática para o declínio de uma mulher atormentada e paranoica, Gloria encerra sua performance com o maior close-up da história do cinema: trágico e estrelado.
Lista de melhores atuações da história para Davi Alencar
Gloria Swanson em Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950)
Victoria Abril em Ata-me! (Pedro Almodóvar, 1989)
Maggie Cheung em Amor à Flor da Pele (Wong Kar-Wai, 2000)
Joaquin Phoenix em Amantes (James Gray, 2008)
Gene Kelly em Cantando na Chuva (Stanley Donen e Gene Kelly, 1952)

Kim Min-hee como Younghee em Na Praia à Noite Sozinha
por Luís Fontenele
Vejo que quando o natural é encenado e permeia entre a subjetividade do que pode ou não ser de fato atuado, nós enquanto espectadores somos postos em um lugar de confusão sobre o que é a realidade em um filme. Em Na Praia à Noite Sozinha (2017), Kim Min-hee, interpretando a atriz Younghee, traz esse exato sentimento. Ela funciona como escape de tudo o que o filme deixa contido nos diálogos cotidianos, usando das reações e da construção dramática das cenas para extravasar todos os sentimentos que a personagem carrega.
Lista de melhores atuações da história para Luís Fontenele
Kim Min-hee em Na Praia à Noite Sozinha (Hong Sang-soo, 2017)
Walmor Chagas em São Paulo, Sociedade Anônima (Luiz Sérgio Person, 1965)
Elizabeth Taylor em Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (Mike Nichols, 1966)
Isabelle Huppert em A Professora de Piano (Michael Haneke, 2001)
Vincent Gallo em Desejo e Obsessão (Claire Denis, 2001)

Gena Rowlands como Myrtle Gordon em Noite de Estreia
por Rafaella Rezende
"E rezaria para que pudesse ter algo a dizer que fizesse sentido. Para que eu pudesse fazer sentido." É brilhante a atuação de Rowlands. Há ali, em Myrtle, uma mulher tentando reencontrar alguma forma de consistência, procurando uma amarração para si mesma, algo que organize o caos da experiência e lhe devolva um lugar no mundo. Em Noite de Estreia, atuar deixa de ser representar uma outra e passa a ser confrontar a estranheza de si mesma, revelar-se, descortinar-se.
Lista de melhores atuações da história para Rafaella Rezende
Gena Rowlands em Noite de Estreia (John Cassavetes, 1977)
Liv Ullmann em Gritos e Sussurros (Ingmar Bergman, 1972)
Isabelle Adjani em Possessão (Andrzej Żuławski, 1981)
Marcélia Cartaxo em A Hora da Estrela (Suzana Amaral, 1985)
Isabelle Huppert em Um Assunto de Mulheres (Claude Chabrol, 1988)

Renée Jeanne Falconetti como Joana d'Arc em A Paixão de Joana d'Arc
por Júlio Oliveira
Renée se converte em sagrado diante dos nossos olhos. Num contexto de um cinema que ainda não havia encontrado a voz, a atriz não precisa disso para ser a totalidade do corpo, mente e alma. Por mais de 100 minutos, Joana d'Arc reviveu diante da câmera.
Lista de melhores atuações da história para Júlio Oliveira
Renée Jeanne Falconetti em A Paixão de Joana d'Arc (Carl T. Dreyer, 1928)
Setsuko Hara em Era uma Vez em Tóquio (Yasujiro Ozu, 1953)
Denis Lavant em Bom Trabalho (Claire Denis, 1999)
Buster Keaton em Sherlock Jr. (Buster Keaton, 1924)
Margarita Terekhova em O Espelho (Andrei Tarkovsky, 1975)
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